quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Oficina de escrita criativa (Vitória/ES)

Entrar em contato pelo e-mail: 
renatabomfim2006@gmail.com


Programa terapêutico para adolescentes (Drª Renata Bomfim)

O estresse excessivo gera nos adolescentes, semelhantemente nos adultos,  consequências físicas e psicológicas. Ansiedade, depressão, angústia, dores de cabeça e/ou abdominais, tensão muscular, entre outras. Há ainda adolescentes que apresentam doenças crônicas que são agravadas em função do estresse excessivo como, por exemplo, a asma. O estresse excessivo gera um desequilíbrio no organismo  alterando o estado natural de seu funcionamento.
 O adolescente, em especial, vê-se naturalmente tendo que lidar com muitas mudanças, precisando, assim, passar por variados processos de adaptação, desde a transição da infância para a adolescência com transformações do corpo e alterações hormonais, desde fatores sociais como mudança de escola, casa, separação dos pais, acidentes, etc., que fazem com que o estímulo gerado pela descarga de adrenalina evolua dos seus sintomas normais, como aceleração dos batimentos cardíacos, para um estado de desgaste do organismo, o que por sua vez levará o corpo a um estado de exaustão, no qual a capacidade de adaptação ou reequilíbrio estará comprometida. 
O adolescente necessita de um cuidado especializado que contemple estratégias de educação em saúde,  assim eles podem compreender o sentido do tratamento e aderir ao mesmo. Quando recebemos adolescentes no consultório buscamos identificar os fatores estressores que mais os prejudicam e trabalhar atividades que os levem a desenvolver habilidades sociais e autonomia para que possam sentir segurança e confiança. 
O nosso programa terapêutico recebe muitos estudantes pré-vestibulandos e outros adolescentes que, por variados motivos, não conseguem acompanhar o ritmo de estudos propostos pelas escolas e cursinhos. A depressão, a síndrome de pânico, etc., fazem com que fiquem algum tempo afastados e, infelizmente, nem sempre em tratamento. Quando necessário atuamos em parceria com psicólogos e psiquiatras de forma que se estruture uma rede de atenção capaz de ajudar esses estudantes. 
Técnicas expressivas da arteterapia, biblioterapia, meditação, florais, soulcollage, yoga, entre outras técnicas integrativas constroem um campo de possibilidades para que o adolescente se expresse e reconecte consigo mesmo. Não existe fórmula mágica, cada adolescente é único e reage de  forma particular aos eventos da vida e às intervenções terapêuticas . Precisamos respeitá-los, escutá-los e apoiá-los para que superem paulatinamente os medos, dificuldades e construam uma forma de lidar com os desafios diários da vida.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Espaço Terapêutico voltado para a saúde integral, em Vitória/ES


A clínica contemporânea deve enxergar o adolescente de forma ampla (Renata Bomfim)



Tenho recebido, para tratamento, vário adolescente no consultório. Geralmente são estudantes pré-universitários e universitários, assoberbados com a carga que o momento lhes impõe.
Eles chegam com queixas similares, alguns vêm encaminhados por psicólogos ou psiquiatras para um atendimento terapêutico amparado na expressão criativa. Um consultório como o nosso, que lança mão da arte como forma de abordagem, não deixa de ser, também, um ambiente pedagógico, lugar de inventividade que propicia ao adolescente, condições para que transforme o mal-estar em um dizer direcionado à saúde.
Acredito que clínica contemporânea deve enxergar o adolescente de forma ampla, reconhecendo que o seu bem-estar depende muito do ambiente familiar e social no qual ele está inserido e, num campo mais complexo, pela forma como as políticas sociais o alcançam. Digo isso, pois, muito não conseguem tratamento similar em atendimentos de saúde pública. 
Acolher esses(as) jovens com as suas narrativas singulares e cheias de significado, tem sido um desafio e uma satisfação. A literatura, uma das nossas principais forma de abordagem no campo da terapêutica, é uma ferramenta potente, pois, ela abre para o adolescente a dimensão da autoria, conferindo a possibilidade de que ele protagonize as suas próprias histórias, deixando de ser apenas objeto do discurso de outros. 
Observamos que muitos adolescentes chegam preocupados em se enquadrarem dentro de uma determinada patologia, pesquisam na internet e já trazem possíveis diagnósticos. Já outros, chegam tão dependente dos medicamentos que o desafio torna-se a sua autonomia e o engajamento no próprio processo terapêutico. Explicamos que as patologias não são a nossa especialidade e nem é tão importante assim essa definição frente a outras possibilidades descortinadas por um tratamento que foca no desenvolvimento de suas habilidades e competências subjetivas. O adolescente tem o direito de ampliar as suas experiências respaldado pelo afeto, bem como, deve sentir-se confiante. Inserimos na nossa abordagem, especialmente no tratamento com adolescentes, a yoga e a meditação, pois, todo aprendizado traz em si inscrições corporais. 
A partir da atenção terapêutica, o adolescente deve desenvolver a capacidade de enfrentar positivamente as dificuldades, de forma que ele torne-se menos vulnerável e consiga reexaminar suas questões identitárias com vista a alcançar mais autonomia e confiança. 


Roda de Leitura Terapêutica em Vitória/ES

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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Meditação e Saúde mental

Em 2018 fui convidada para realizar um trabalho de mediação de grupos no Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem, em Ibiraçu, ES. Essa experiência pontual acabou se tornando um vínculo de amizade e de trabalho e, até o ano de 2014 dirigi variadas ações e projetos de educação ambiental no MZMV. A meditação é um dos pilares dos programas realizados no Mosteiro, mais especificamente o ZAZEN. Zazen significa “sentar Zen”, a palavra vem do sânscrito Dhyana ou Jhana e propõe um estado meditativo profundo. Foram anos de aprendizado e autoconhecimento. Posteriormente, nossa prática no campo da meditação foi se ampliando com as técnicas propostas pelo Haja Yoga. Mas, independente da técnica meditativa, os resultados são comuns: a reconexão consigo, a saúde integral, a calma da mente, o relaxamento, entre outros.

Dados da OMS indicam o crescimento do índice de ansiedade e depressão em todo o mundo. As origens desses conflitos psicológicos são variadas, entre elas as catástrofes naturais, guerras, e também os conflitos internos do indivíduo, seus medos e angústias.
A prática da meditação, também chamada Mindfulness, tem sido estudada por cientistas e os resultados são um alento, pois, indicam a melhoria das funções cognitivas chegando, inclusive, a efetuar mudanças na constituição do cérebro, especialmente em áreas associadas à aprendizagem e memória, promovendo, também, uma regulação emocional.
Vale destacar que a meditação é uma prática integrativa, ela não substitui os tratamentos médicos, antes, ela os potencializa.

Mas os objetivos da meditação vão além. Existe um aspecto da saúde que muitas vezes é negligenciado pela ciência moderna, a espiritualidade. Não se deve confundir espiritualidade com religião. Existem boas correlações entre espiritualidade e saúde, essa está intimamente ligada ao bem-estar psicológico e ao sentido na vida. Por isso o Reluz inclui a espiritualidade como um recurso promotor de saúde, por meio da meditação, investindo numa clínica que entende a saúde mental como equilíbrio e sentido na vida, valorizando e incentivando o autoconhecimento e a autonomia do paciente.
A meditação, além dos benefícios citados, permite que o indivíduo acesse níveis profundos de da alma, ampliando a capacidade de abertura para o outro e para as novas experiências que a vida proporciona, impulsionando-o a cultivar valores saudáveis vinculados ao coletivo.

Renata Bomfim

domingo, 21 de janeiro de 2018

Por uma terapêutica criativa e dialógica (prof.ª Dr.ª Renata Bomfim)


Foi em 2003 que passei a me interessar pelos estudos da psicossomática. Já havia feito, até então, um percurso dentro do campo da saúde mental que passou pelo CAPS-Ilha de Santa Maria, pelo Ambulatório de saúde mental para crianças e adolescentes, no HUCAM e pelo CACIA, que funcionava, então, na UFES, no campus de Goiabeiras. 

No início da carreira profissional, lá pelos idos de 1999, minha inserção no campo da saúde, mais especificamente da saúde mental, foi vista com reserva por profissionais da área médica e psi., algo compreensível, visto que questionar conceitos ortodoxos, posturas enrijecidas gera resistências. Foi um grande esforço  que os profissionais engajados na luta antimanicomial enfrentaram, mostrar que a saúde mental é um fenômeno complexo e que deve ser trabalhado de forma inter e multidisciplinar. Mas, os tempos foram mudando e, hoje, já foi comprovada a eficácia da expressão pela arte no tratamento tanto das psicoses, quanto das neuroses, bem como na promoção da qualidade de vida. 

Agora, imagine uma ferida que esteja infeccionada ao ponto de estar pustulenta, fedida, dolorida, incapacitando o doente para as atividades mais corriqueiras, tirando dele a alegria, a disposição e, muitas vezes, a esperança? É inquestionável que uma ferida desse porte necessite urgentemente de cuidados. Agora, imagine que essa ferida não pode ser vista, e que apenas o doente tem conhecimento dela?

Os males da alma muitas vezes não são nem reconhecidos e muitos menos compreendidos por outrem, mas demandam atenção. A depressão, por exemplo, muitas vezes ignorada, minimizada , tem levando, tragicamente,  muitas pessoas a cometer suicídioUm modelo metodológico físico-naturalista, mecanicista, não dá conta desses fenômenos tão humanos e, o silenciamento do doente amplificava a voz da sua sintomatologia.

Uma abordagem terapêutica humanizada destina-se ao doente e não à doença, e essa mudança de foco tem feito a diferença para muitas pessoas. É na premissa que de para se entender a doença é necessário se entender o enfermo que se apoia o arcabouço teórico e prático da psicossomática. Apenas uma visão integradora permitirá que a as circunstâncias do doente, da doença e a relação dessas instâncias com o mundo seja conhecida. 

O Dr. Danilo Perestrello escreveu uma obra basilar para o entendimento dessa nova clínica, ela chama-se "a medicina da pessoa". Essa nova práxis concebe o indivíduo adoecido inserido num contexto histórico, o que torna relevante conhecer a sua história de vida, suas aspirações, projetos e perspectivas. 

A interligação entre o psiquismo e a fisiologia da pessoa já foi atestada e os distúrbios psicossomáticos são uma realidade incômoda para a medicina tradicional.  Os conflitos internos vivenciados pela pessoa, que muitas vezes se expressam por meio das doenças psicossomáticas, tem um dizer, e esse dizer, pode encontrar uma expressão possível e salutar na linguagem da arte. 

Perestrello afirma que "o homem coexiste"; ou seja, ele é um "sistema aberto e em constante interação com o seu meio", o que faz com que o seu adoecimento seja uma manifestação de um desequilíbrio. Vale destacar que a Organização Mundial de Saúde, em 1946,  definiu que "saúde" não é a simplesmente a ausência de doença, mas um estado de equilíbrio, um bem estar físico, psíquico, emocional, social e, inclusive, espiritual. A espiritualidade é definida pela OMS como "o conjunto de emoções e convicções de natureza não material" que remete para "o significado da vida" e não se limita à dogmas e religiões. 

É grande o desafio dos profissionais de saúde na contemporaneidade, pois, para se ter a compreensão mínima do outro é preciso um estado de abertura e de coragem para o autoconhecimento, é preciso praticar o que prega, o conhecido aforismo grego "conhece a ti mesmo". Para desenvolver uma visão integradora precisa estar preparado para lidar com o seu paciente, compreendê-lo e, especialmente, reconhecer nele um semelhante. 

Prof.ª Dr.ª Renata Bomfim

Oficina de escrita criativa (Vitória/ES)

Entrar em contato pelo e-mail:  renatabomfim2006@gmail.com