quarta-feira, 1 de junho de 2011

Criatividade, fruta que se colhe na estrada...

Olá amigo internauta, tudo bem?
 
Eu estava refletindo sobre o ditado popular "necessidade faz o sapo pular". Será? Pensei comigo que pular é algo natural no sapo, assim como andar é natural para no ser humano, claro, sempre podem existir alguma intercorrência e o sapo não poder saltar e o homem caminhar... mas prossigamos... Bem, depois dessa viagem fiquei pensando no conceito de criatividade. A criatividade pode bem parecer uma capacidade externa ao ser humano, algo que pode ser aprendido ou/e comprado, mas não é.
Eu mudaria a frase sobre o sapo para: "a vida faz o sapo pular". Penso em "vida" de forma amplificada, o ser humano “vivo”, ou seja, implicado com esse fenômeno esplendoroso que é ter o seu corpo animado, as suas faculdades em atividade e interação com mundo, é criativo. Vejo o embotamento criativo como uma espécie de morte simbólica ou sinal de doença.
As empresas me pedem que eu realize trabalhos que ajudem as suas equipes a serem criativas, e isso é possível e viável, este é um trabalho que, no meu caso, jamais desatrelo da terapêutica, pois, muitos entraves psíquicos impedem que a criatividade (nata) se manifeste, ou mesmo, trabalhe na sua função principal, que é resolver as questões da vida, para que esta se perpetue e gere ainda mais vida.
Criatividade e Vida são muito mais que conceitos, são arcanos que se relacionam e retroalimentam, são os elementos que fazem o ser humano levantar dia após dia e se manifestar no mundo, são o motor da sociedade.
Uma teórica que gosto muito, da Drª. Fayga Ostrower, desvela os caminhos do processo criativo. a Drª. parte da premissa que "criar é formar", e destaca que "nossos atos" e a forma como os compreendemos, bem como aos seus impactos (externos e internos), permitem que vislumbremos a nossa ordem interior.
O ser humano está sempre em busca de significados e, a motivação, esse "pomo de ouro" que as empresas desejam possuir (muitas vezes a qualquer custo) ou adquirir (comprar)para o seu corpo organizacional, é nada mais que o resultado, tanto da busca de ordenação (dos atos), quanto da busca de significação dos mesmos. Dessa forma, a criatividade não é um fim, mas, processo, caminho, "a fruta que se colhe na estrada". Ela é a recompensa pelo dispêndio de energia para se alcançar algo, e o reflexo da implicação do indivíduo para chegar ao lugar que deseja (mesmo que este lugar não exista de forma material, seja um sonho, uma meta).
Uma história Zen relata que o discípulo perguntou ao mestre qual era o caminho, e o mestre "simplesmente" lhe respondeu: caminhe...
É assim que eu vejo a criatividade, como essa recompensa inesperada que alcançamos sem perceber por meio de uma idéia que nasce, “meio maluca”, mas, prenhe de potencial, como um insight que nos mostra um desvio, uma ruptura com o senso comum, e daí faz surgir algo novo.
Drª Ostrower disse que o homem não cria porque quer ou porque gosta, mas porque precisa, pois, apenas criando, ele pode se ordenar (por dentro e por fora), enfim, ele pode dar forma, ou seja, formar a si mesmo... A percepção de si mesmo dentro do agir é condição sine qua non para o despertar da criatividade, é uma premissa básica da criação, e por isso criar vincula-se sempre a autoconhecer-se, vincula-se a capacidade de se tornar vulnerável e de ver o mundo não apenas com os olhos, mas com todos os sentidos reunidos e com o coração.
Os processos de criação e de autoconhecimento estão ligados por meio da cultura e marcam outras vidas, outras subjetividades. É dessa forma que lincamos a criatividade, também, ao campo do comum, do coletivo.
Criar é traduzir-se, é ler e interpretar o mundo utilizand a multiplicidade de formas possíveis na linguagem. Para criar e ordenar os fenômenos(interno e externo) o ser humano parte de motivações interiores, o que mostra que a motivação possui intensidade psíquica.
Criatividade é Vida, e por isso, meu amigo, que o sapo pula e encanta, ele não o faz não porque precisa, mas porque a vida lhe pulsa!
Abraços eco-fraternos
Renata Bomfim

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