segunda-feira, 20 de abril de 2015

Atividades lúdicas para Comunidades Terapêuticas (CTs)/ Roda de Leitura Reflexiva 1

Recomeçar
(Carlos Drummond Andrade)

Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…

Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é…agora é hora de reiniciar…de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado…diferente?
Um novo curso…ou aquele velho desejo de aprender a
pintar…desenhar…dominar o computador…
ou qualquer outra coisa…

Olha quanto desafio…quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.

Tá se sentindo sozinho?
besteira…tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.
Recomeçar…hoje é um bom dia para começar novos
desafios.

Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o
melhor do melhor… queira coisas boas para a vida… pensando assim
trazemos para nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…
coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado… ao mundinho de coisas tristes…
fotos…peças de roupa, papel de bala…ingressos de
cinema, bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora… mas principalmente…
esvazie seu coração… fique pronto para a vida… para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”

Carlos Drummond Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1987. Drummond é considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Ele é autor, também, de um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira que se chama “No meio do caminho”:


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Esse poema pode parecer simples, até mesmo redundante à primeira vista, por conta das repetições dos versos, o primeiro verso, por exemplo, é repetido duas vezes. Mas, se analisarmos, num sentido figurado/simbólico, veremos que a “pedra”, um mineral (matéria dura) contrasta com o “caminho”, que tem sentido de fluidez, de viagem, de passagem.
 Observamos que a pedra é “algo” que interrompe o trânsito e faz a pessoa parar: Nesse poema esses dois elementos (a pedra e o caminho) são uma metáfora da vida, eles sugerem que, em algum momento, nos deparamos com dificuldades, mas as dificuldades não fazem o caminho desaparecer, ele continua aberto, basta contornarmos a pedra, enfim, ultrapassarmos o obstáculo e retomar a caminhada. É nesse momento é preciso RECOMEÇAR, pois, não importa onde você parou...

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