sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A clínica contemporânea deve enxergar o adolescente de forma ampla (Renata Bomfim)



Tenho recebido, para tratamento, vário adolescente no consultório. Geralmente são estudantes pré-universitários e universitários, assoberbados com a carga que o momento lhes impõe.
Eles chegam com queixas similares, alguns vêm encaminhados por psicólogos ou psiquiatras para um atendimento terapêutico amparado na expressão criativa. Um consultório como o nosso, que lança mão da arte como forma de abordagem, não deixa de ser, também, um ambiente pedagógico, lugar de inventividade que propicia ao adolescente, condições para que transforme o mal-estar em um dizer direcionado à saúde.
Acredito que clínica contemporânea deve enxergar o adolescente de forma ampla, reconhecendo que o seu bem-estar depende muito do ambiente familiar e social no qual ele está inserido e, num campo mais complexo, pela forma como as políticas sociais o alcançam. Digo isso, pois, muito não conseguem tratamento similar em atendimentos de saúde pública. 
Acolher esses(as) jovens com as suas narrativas singulares e cheias de significado, tem sido um desafio e uma satisfação. A literatura, uma das nossas principais forma de abordagem no campo da terapêutica, é uma ferramenta potente, pois, ela abre para o adolescente a dimensão da autoria, conferindo a possibilidade de que ele protagonize as suas próprias histórias, deixando de ser apenas objeto do discurso de outros. 
Observamos que muitos adolescentes chegam preocupados em se enquadrarem dentro de uma determinada patologia, pesquisam na internet e já trazem possíveis diagnósticos. Já outros, chegam tão dependente dos medicamentos que o desafio torna-se a sua autonomia e o engajamento no próprio processo terapêutico. Explicamos que as patologias não são a nossa especialidade e nem é tão importante assim essa definição frente a outras possibilidades descortinadas por um tratamento que foca no desenvolvimento de suas habilidades e competências subjetivas. O adolescente tem o direito de ampliar as suas experiências respaldado pelo afeto, bem como, deve sentir-se confiante. Inserimos na nossa abordagem, especialmente no tratamento com adolescentes, a yoga e a meditação, pois, todo aprendizado traz em si inscrições corporais. 
A partir da atenção terapêutica, o adolescente deve desenvolver a capacidade de enfrentar positivamente as dificuldades, de forma que ele torne-se menos vulnerável e consiga reexaminar suas questões identitárias com vista a alcançar mais autonomia e confiança. 


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Oficina de escrita criativa (Vitória/ES)

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